domingo, 26 de abril de 2009

Vale a pena conferir!!!

Por Thaís Pires

No dia 25 de abril, foi promovida pelo professor Marcio Guerra, uma excursão à São Paulo - capital, com o objetivo de conhecer o Museu do Esporte, situado no estádio do Pacaembú.



Se fosse pela viagem, nada seria animador, pois 8 horas de ida e 8 de volta de ônibus,não é muito agradável. Mas depois de conhecer o museu, tudo valeu a pena, até mesmo almoçar em um restaurante de beira de estrada que consegue ser pior do que o R.U. da UFJF.

Voltando ao que interessa, o Museu do Esporte é realmente muito interessante, pois além de ser interativo, tem uma estrutura que prende a atenção de quem o visita, diferente de qualquer museu que eu já tenha visto. A interatividade pode ser experimentada logo no início onde tem cabines para poder escutar narrações de rádio de diversas épocas e locutores. Você escolhe o que quer ouvir. Já a estrutura que me chamou mais atenção foi a da linha do tempo, onde podemos ver o que aconteceu em cada ano de Copa do Mundo.



Tudo que se queira saber, conhecer ou tirar dúvidas sobre esporte e, principalmente, sobre futebol, pode ser encontrado no museu. É aprender de forma divertida e descontraída.

sábado, 25 de abril de 2009

De Irará para o mundo: Tom Zé



Por Marina Alvarenga Botelho

Antônio José Santana Martins, ou Tom Zé, tem hoje 72 anos. Um cantor original, um compositor ousado, um artista esquecido. O que o Zé deixou para o Brasil não foi pouca coisa.

O cara veio de Irará, na Bahia, de uma família que só ficou rica graças a um bilhete de loteria premiado. Sempre interessado por aspectos peculiares da vida e apaixonado por música, foi um dos líderes do movimento Tropicalista, que iniciou em 1968, e não durou muito tempo. Quem saiu de lá e “se deu bem” foi Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia e até mesmo os maravilhosos Mutantes.

Tom Zé ficou por muito tempo esquecido, mas graças ao ex vocalista da banda Talking Heads, David Byrne, que achou um disco do cantor em um sebo, o Zé passou a ter reconhecimento internacional, e até mesmo em seu “paisinho”, Brasil.

Em 1998 o disco Com Defeito de Fabricação foi eleito um dos dez melhores álbuns do ano pelo The New York Times.

Mas não só de música vive uma Artista como Tom Zé. Em 2003 publicou o “Tropicalista Lenta Luta”, um livro, que dividido em quatro partes, conta um pouco de sua vida. A primeira parte, uma autobiografia intitulada “Memórias de Irará” é, para mim, a mais divertida. Do seu deslumbramento com a chegada da luz elétrica na cidade (- A que horas vai ligar essa luz? ; -Às 8h.; - E que horas chega?) às suas paixões pelas meninas e pela música, Zé relembra acontecimentos que valem a pena serem lidos.





A segunda parte reúne cartas e vários textos politizados e “musicalizados” que apareceram em jornais e revistas ao longo dos anos. Na terceira parte todas as letras de todos os álbuns feitos até então. E a quarta parte é a transcrição de uma entrevista feita por Luiz Tatit, músico paulista e amigo de Tom Zé, e Arthur Nestrovski, editor da Publifolha. E tudo isso escrito do jeito Tom Zé de ser, de falar, de pensar, e que nem sempre é facilmente compreendido.

Em 2006 foi lançado o filme Fabricando Tom Zé, um documentário de Decio Matos Jr, sobre a “vida e obra” do músico. Para mim, um dos melhores documentários, que juntamente com o “Loki”, sobre a vida do (ex?)Mutante Arnaldo Batista, mostra um pouquinho do que é e já foi a boa gente e a boa música brasileira.
Logo depois, em 2007, Antônio José participou da ocupação na reitoria da USP, (veja o vídeo, é bem divertido).

Desde 2008, vem mantendo um blog, e junto com seus leitores e fãs, debate livros, assuntos diversos e comenta os shows. Bem bacana!

E para quem quer conhecer ou curtir ao vivo o tão adorado por mim Tom Zé, ele está sempre por aí fazendo shows, com mais pique que a Ivete Sangalo. É só acompanhar pelo blog ou site oficial.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Computerhead

Rodrigo Souza

No último dia 20 de março aconteceu o melhor show que o Brasil viu em anos. O show da banda da década, tocando o disco da década.
O Radiohead é uma banda inglesa de rock alternativo, formada no ano de 1988 por Thom Yorke (vocais, guitarra, piano), Jonny Greenwood (guitarra), Ed O'Brien (guitarra), Colin Greenwood (baixo, sintetizador) e Phil Selway (bateria, percussão). Atingiram a fama em 1997, ao lançarem o aclamado cd Ok Computer, considerado por muitos o melhor disco dos anos 90.
Voltaram à mídia recentemente ao lançarem o já clássico e revolucionário cd In Rainbows. Por que revolucionário? Porque o cd foi desponibilizado para download no site da banda. O fã poderia pagar o que quisesse, a partir de nada. Se, no entanto, pagasse 40 libras, recebia em casa uma edição especial com In Rainbows em CD e em dois LPs de 45 rpm, mais um CD de faixas-bônus e dois encartes.



De fato, várias outras bandas menores já vinham disponibilizando faixas dos discos nos sites oficiais. Mas o Radiohead foi a primeira banda grande e de renome a disponibilizar um disco inteiro.
A maior parte dos fãs optou por não pagar nada para fazer o download do disco. No entanto, In Rainbows, lançado no dia 31 de dezembro de 2007, gerou mais dinheiro que o trabalho anterior da banda, Hail To The Thief, de 2003. Eles ganharam cerca de US$ 3 milhões. O download durou somente três meses e o CD ganhou o primeiro lugar nas paradas dos EUA e do Reino Unido depois de seu lançamento "físico".
Não bastasse ser revolucionário, o cd ainda é muito bom. Desde o Ok Computer o Radiohead não recebia tantas críticas positivas. (Há quem ache que os dois cds, na realidade, são um só. E que se você ouví-los com as faixas se intercalando, a experiência se torna ainda melhor)

Desde o lançamento do Hail To The Thief, em 2003, que vinha se criando uma expectativa quanto ao show do grupo inglês em terras brasileiras, mas este nunca acontecia. Mas em novembro do ano passado foi anunciado que a banda iria fazer não apenas um, mas dois shows no Brasil, em março de 2009. (O que a crise econômica não faz, não é mesmo minha gente?) Os ingressos começaram a ser vendidos às 0h do dia 5 de dezembro. De início o site ficou um pouco congestionado, mas não aconteceu nada comparado com os ingressos da Madonna, que acabaram em menos de 24h. Era possível comprar ingressos pro show até momentos antes do show começar.

Nos meses seguintes foi anunciado que outras bandas abririam o show do Radiohead. Estas eram o Los Hermanos, banda brasileira que estava em recesso há uns 2 anos, e Kraftwerk, banda alemã percursora da música eletrônica nos anos 80.

Pois bem. Veio Natal, Ano Novo, Carnaval e finalmente chegou o grande dia. 20 de março de 2009.

Fui de excursão. Por um lado foi bom, que gastei pouco. R$80 ida e volta. A passagem de ônibus pro Rio era em torno de R$30, R$40, dependendo do percurso e do ar condicionado. E sem contar que teria que pegar um táxi da rodoviária até a Apoteose, local onde seria o show. Mas por outro, demoramos umas 4 horas pra chegar, entre paradas desnecessárias na estrada e não pude aproveitar o pós show com meus amigos que moram lá.

Depois das 4 horas que demoramos pra chegar, ainda tive uns contratempos em relação a troca do ingresso que comprei pela internet. Entre informações erradas e ter que dar a volta por fora pra chegar à bilheteria, percorri a distância da Apoteose umas 5 vezes.

Mas consegui chegar às 18h30 lá no palco. A primeira pergunta que eu fiz pros meus amigos foi: onde é o banheiro e onde tem cerveja? Tava muito quente. Mas eles falaram: "ah, a cerveja custa R$5 reais. A latinha". Resolvi ficar desidratando um pouquinho.

O show do Los Hermanos começou às 19h em ponto. Nunca tinha ido a um show deles, mas gosto bastante do trabalho dos vocalistas, Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo, que lançaram bons cds de seus projetos independentes pós-recesso da banda. Mas não sei se eu tava muito ansioso pro Radiohead que achei o show deles regular. Ainda mais porque eles não interagiram com o público quase nenhuma vez.

Depois veio o Kraftwerk. O show foi muito bom, principalmente pelo telão. The Model, Radioactivity, duas das minhas músicas favoritas de todos os tempos sendo tocadas ali ao vivo. Mas tenho de reconhecer que a estrutra do show não é nem um pouco de se admirar. Os quatro caras ficam com seus notebooks no palco, fazendo remixes ao vivo, vozes, etc. Se há algum tempo atrás isso poderia ser considerado como "revolucionário", hoje em dia, em tempos de msn, orkut, facebook vira motivo de chacota. Muita gente (e até mesmo eu) ficou fazendo piadinhas falando que eles colocaram a música no play e ficaram na internet o show inteiro.

Mas chegou o grande momento. Às 22h40, com dez minutinhos de atraso, começou o show. E o show foi perfeito, até pra quem não era nem um pouco fã da banda. Não sei se foram as danças do Thom Yorke, as músicas sendo cantadas em coro, os telões exibindo imagens gravadas ao vivo, ou aqueles efeitos das luzes sensacionais. Ou se foi tudo. O fato é que o Radiohead fez um show que é, até hoje, pra mim, inexplicável. E se consolidou definitivamente como a banda da geração internet.
E o show completo tá aí embaixo pra quem quiser ver. Todo gravado pelos fãs e colocado no YouTube.